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quinta, 10 março 2016 06:16

O cinema moderno do Irã (12)

O cinema moderno do Irã (12)
A grande parte do sucesso do cinema iraniano tem sido pelo esforço dos jovens cineastas, que após a Revolução Islâmica se dedicaram inteiramente a esta profissão, escolhendo a linguagem do cinema para expressar as suas ideias. No programa de hoje vamos mencionar a alguns dos trabalhos mais recentes do diretor iraniano Ebrahim Hatamikia.

O impacto da situação política e uma reação pelos acontecimentos sociais são características dos artistas que se mantiveram fieis e comprometidos a cada época, e Hatamikia não foi uma exceção.

Em 1998, (10 anos depois do termino da guerra imposta pelo Iraque contra o Irã), Hatamikia tem produzido o filme “Agência de vidro”, que criticava fortemente atitudes das frações da linha dura e outras facetas politicas, mostrando a opinião de alguns veteranos da guerra sobre a situação do país naquele tempo.

“Agência de vidro”, conta a história de um veterano de guerra, chamada Haj Kezaem, que não tem boa condição financeira, mas tenta ajudar um dos seus amigos na guerra que precisa de uma cirurgia urgentemente. Ele tenta convencer as autoridades do governo para que enviem o soldado doente para Londres. O cineasta escolhendo personagens de diferentes camadas sociais, e se reuni-las numa agencia da aviação, alegoricamente transmite as suas conversas e simultaneamente responde as suas interrogações. Haj Kazem e o seu amigo Abbas, dois atores principais no filme, são símbolos dos heróis esquecidos e marginalizados, sem devido atenção pela sociedade.

Depois do sucesso de "Agência de vidro", Hatamikia produziu logo um filme chamado "Fita vermelha", que se concentra num espaço singular onde três pessoas se cruzam num deserto. Este filme é considerado um dos melhores apresentações depois da revolução. Ele conta a historia de dois homens e uma mulher que se encontram num deserto, que era no passado um campo de minas, cheio de minas e tanques. A mulher alega que no passado ali, tem estado à casa do seu pai em que ela tinha escolhido o lugar para viver. Um dos homens, desde o período da guerra habitava no local e exigia o mesmo. Ele disse que estava limpando o local de minas. A terceira personagem do filme é uma pessoa que pretende iniciar uma nova vida junto com uma companheira, esquecendo o seu passado. O filme além de mostrar o cruzamento destes três personagens, utiliza muitos símbolos e metáforas e Hatamikia com certa habilidade exemplar, captura excelentes imagens e atuações dos atores, criando uma obra-prima.

Hatimikia concentra posteriormente, ainda mais, em demostrar o contraste entre as pessoas do período de guerra e as que vivem no tempo atual.

Os filmes "A onda da morte", "Em Nome do Pai" e "Altura inferior" tentam demonstrar problemáticos sociais, cada um de ângulos diferentes e cada um reagindo de forma diferente para com estes assuntos.

Apesar de observar uma diminuição de qualidades profissionais dos seus últimos trabalhos, mas os críticos, numa avaliação generalizada, baseada também em opinião pública, consideram positiva toda a trajetória produtiva do cineasta, mesmo as tele séries, que receberam uma boa reação do publico.

Ebrahim Hatamikia é dos poucos cineastas que apenas o seu nome atrai as pessoas e levam os apreciadores as salas de cinemas.

O falecido Seyed Morteza Avini, que se dedicou até os últimos momentos da sua vida aos documentários sobre o período da Defesa Sagrada, sobre o Hatimikia disse: "O aparecimento de Hatamikia no cinema da Revolução, é um evento tal como a própria revolução. Ele, no campo cinematográfico, é o símbolo de homens que surgiram com a Revolução Islâmica do Irã e são consideradas as vanguardas da era de espiritualidade. Não somente eu, mas todos aqueles que já perceberam o destino histórico do homem do futuro, sabem que já temos entrado na era de espiritualidade e cineastas como Hatamikia são os depósitos e créditos desta fase".

Filmes sobre guerra no cinema iraniano são classificados em três categorias:

Populares, filmes de ações e agitações e o último que são de propagandas e incitantes. Porem existe uma corrente original chamada, a corrente de cinema de Defensa Sagrada, que incluí as melhores obras de cinema iraniano. Neste gênero um dos mais desatacados produtores é o Hatamikia, quem não tem permitido que o cinema de guerra ficasse apenas limitado aos tanques, artilharia e aviões de guerra. Ele não converteu as figuras brilhantes dos soldados e heróis em musculosos e máquinas de guerra, pelo contrario ele contando os ideais das pessoas envolvidas na guerra, consolidou este gênero de filme com ajuda de outros seus colegas e criando filmes valiosos. Talvez, este ponto de força que possa diferenciar tematicamente o gênero iraniano do cinema mundial.

Hatamikia, nos últimos anos, também produziu filmes com temas sociais, onde questões de atualidade da juventude e as reflexões de assuntos políticos foram representadas. Ele há muito tempo estava escrevendo e preparando o roteiro do filme "Che”, que tratava da vida de um dos heróis da guerra chamado Mostafa Chamran.

Prezados amigos esperamos que este programa possa vos oferecer informações uteis sobre os cineastas iranianos e a trajetória do cinema iraniano, em particular o cinema pós-revolução islâmica. Agradecemos pela sua companhia, convidamos os nossos leitores e ouvintes para a nossa próxima programação.

 

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