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Sunday, 08 February 2015 21:04

KHAYYAM

KHAYYAM
Omar Ibn Ibrahim El Khayyam nasceu em Nichapur, Pérsia, a atual República Islâmica do Irã, em 1040 e morreu nessa mesma cidade em 1120.



Khayyam significa, em persa, fabricante de tendas; ele adotou esse nome em memória do pai que era fabricante de tendas.

Além de poeta Omar Khayyam foi matemático e astrônomo. Dos seus livros de ciência chegaram até nós o Tratado de Algumas Dificuldades das Definições de Euclides e as Demonstrações dos problemas de Álgebra. Em 1074, diretor do Observatório de Merv, fez a reforma do calendário muçulmano. Khayyām calculou como corrigir o calendario persa. O seu calendário tinha uma margem de erro de um dia a cada 3770 anos. Contribuiu em álgebra com o método para resolver equações cúbicas pela interseção de uma parábola com um círculo, que viria a ser retomada séculos depois por René Descartes. Embora não se conheçam muitos pormenores biográficos, pensa-se que cresceu na sua cidade natal e que viveu em Samarkanda, tendo viajado muito com o propósito de estudar e trocar conhecimentos com sábios de outras regiões. Estudou com o Sheik Muhamad Mansuri e com o Imã Mowaffak de Nishapur, sendo que no período de estudos com este último foi condiscípulo e se tornou amigo de duas outras personalidades que iriam ter especial relevo no mundo persa: Nizam al-Mulk (Vizir) e Hassan ibn al-Sabbah (chefe da seita dos Hashishin).
De mente prolífera, no campo da matemática, desenvolveu, entre outros, um método de classificação das equações cúbicas através da interseção de um círculo numa parábola (que viria a ser desenvolvido por matemáticos em épocas posteriores); calculou o desenvolvimento binomial nas expressões em que o expoente é um número inteiro positivo; estudou, em geometria, os princípios gerais de Euclides; e escreveu Maqalat fi al-Jabr wa al-Muqabila, um livro considerado essencial para o desenvolvimento da álgebra, para além de cerca de 10 outras obras e de 30 monografias.
Como diretor do Observatório de Astronomia de Merve, cargo que lhe foi atribuído pelo sultão seljúcida Málique Xá, entre 1074 e 1079, introduziu reformas no calendário persa Jalali, tendo obtido, como resultado, um calendário notavelmente mais exato que o gregoriano, iniciando, desta forma, uma nova era a 15 de março de 1079.
Apesar da sua influência no desenvolvimento da matemática em geral e da geometria em particular, Omar Khayyam foi também um excelente poeta, sendo que a sua faceta de cientista foi, durante muito tempo e por muitas vezes, oculta pela sua popularidade literária. Foi Edward Fitzgerald quem o tornou mundialmente conhecido ao publicar, em 1839, uma tradução, na língua inglesa, de Rubaiyat, uma coletânea da poesia atribuída a Khayyam. A autoria do Rubayat, nome que significa "quadras", é contestada por alguns estudiosos, visto que o conteúdo, boémio por louvar os prazeres da bebida e do amor, e cético em relação ao porvir, não se enquadra no percurso de Khayyam enquanto estudioso e cientista.

Rubaiyat é o plural da palavra persa rubai, e quer dizer quadras, quartetos. No rubai, o primeiro, o segundo e o quarto versos são rimados, o terceiro é branco.

Nesta "tradução", não mantivemos a rima, nem a métrica "originais".

 

Nunca murmurei uma prece,

nem escondi os meus pecados.

Ignoro se existe uma Justiça, ou Misericórdia;

mas não desespero: sou um homem sincero.

 

 

 

 

O que vale mais? Meditar numa taverna,

ou prosternado na mesquita implorar o Céu?

Não sei se temos um Senhor,

nem que destino me reservou.

 

Olha com indulgência aqueles que se embriagam;

os teus defeitos não são menores.

Se queres paz e serenidade, lembra-te

da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.

 

 

 

 

Que o teu saber não humilhe o teu próximo.

Cuidado, não deixes que a ira te domine.

Se esperas a paz, sorri ao destino que te fere;

não firas ninguém.

 

 

Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.

Apanha um grande copo cheio de vinho,

senta-te ao luar, e pensa:

Talvez amanhã a lua me procure em vão.

 

 

 

 

Não procures muitos amigos, nem busques prolongar

a simpatia que alguém te inspirou;

antes de apertares a mão que te estendem,

considera se um dia ela não se erguerá contra ti.

Que pobre o coração que não sabe amar

e não conhece o delírio da paixão.

Se não amas, que sol pode te aquecer,

ou que lua te consolar?

 

 

 

 

Hoje os meus anos reflorescem.

Quero o vinho que me dá calor.

Dizes que é amargo? Vinho!

Que seja amargo, como a vida.

 

 

 

 

 

Há muito tempo, esta ânfora foi um amante,

como eu: sofria com a indiferença de uma mulher;

a asa curva no gargalo é o braço que enlaçava

os ombros lisos da bem amada.

 

 

É inútil a tua aflição;

nada podes sobre o teu destino.

Se és prudente, toma o que tens à mão.

Amanhã... que sabes do amanhã?

 

 

 

 

Além da Terra, pelo Infinito,

procurei, em vão, o Céu e o Inferno.

Depois uma voz me disse:

Céu e Inferno estão em ti.

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