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Thursday, 12 February 2015 07:57

O Masnavi de Mevlana Jalal ud-Din Rumi

O Masnavi de Mevlana Jalal ud-Din Rumi
O Masnavi de Mevlana Jalal ud-Din Rumi tem em torno de 25.631 versos, e nenhum deles foi escrito por ele mesmo.
Rumi entrava espontaneamente em transe, enquanto seu querido amigo Husameddin Chelebi escrevia por ele. Mas esses dezoito primeiros versos de seu trabalho, ele mesmo escreveu. Cuidadosamente. Portanto, isso é extremamente importante para revelar sua  mensagem, que ele tentou dividir em partes. Esses versos resumem os seis volumes do Masnavi., e este trabalho inclui comentários originalmente escritos em Urdú, Turco (Otomano), Persa e Inglês. 
a) "Escute a Ney (a flauta) que lamenta e tenta narrar a história do desterro." 
b) Ney ou Nay = "a flauta de cana/ junco", era conhecida muito antes de Rumi como um instrumento, com sua voz de lamentação. O Krishna dos Hindus tocava flauta, intoxicando pessoas e animais. O poeta Khusrau de Delhi, contemporâneo de Rumi (cujo pai também se originava da Ásia Central e pertenceu a tribo Turca "Lachin"), expressou  as seguintes linhas: 
"Eu choro e lamento como a Ney, pois meus ossos tornaram-se vazios e secos como a Ney." 
Rumi usa a Ney de uma maneira inteiramente metafórica. Ela representa o homem que foi abandonado e privado da presença de seu Amado= Alláh. 
A Ney (pedaço de cana) que foi arrancada de sua origem (a raiz da cana), chora e lamenta; assim como o corpo de um homem que foi preenchido com o  Sopro Divino (espírito) e está vazio de si mesmo. 
Mais adiante diz: 
a) "Desde que fui arrancada da minha raíz, meus lamentos tem deixado homens e mulheres em  profundo desespero." 
b) "Raíz" (da cana) aqui significa o lugar onde o espírito sagrado do homem  habitou. A cana é alimentada pela doce água de um lago ou córrego, assim como o espírito de um homem é alimentado pelo Afeto e Perdão Divino. Se a cana é desprovida de água, ela seca. Igualmente, se um homem é desprovido do Perdão Divino, seu espírito se torna frágil e desprotegido. Quando um homem é afastado de Alláh, como Adão, a quem lhe foi dado orifícios - orelhas, boca, olhos, nariz , etc..., como os orifícios da Ney, seu espírito sente-se enjaulado em seu corpo físico e começa a vibrar da mesma forma que o sopro na Ney. Portanto qualquer pessoa , seja  um homem ou  uma mulher, começa  a sentir piedade dela. 
a) "Aquele que abandonou sua Origem, procura por uma oportunidade para retornar." 
b) Essa é uma regra geral, de que tudo no universo tende a seguir em direção de sua Origem. Um homem é  impaciente e infeliz quando se sente atraído para o Centro, como no Al-Qur’an: " De Alláh você veio, para Ele deverá retornar." Então, não dependa muito de prazeres temporários deste mundo de modelos e formas, porque eles são como sinais de trânsito que levam até Alláh. Não se encante pela beleza desses sinais e fique cravado, imóvel. Tente alcançar o real objetivo, a Proximidade de Alláh, onde a verdadeira felicidade espera por você; em religião, chamado "Paraíso". 
Desafortunadamente, aqueles que se afastaram do Centro, vão incompreender o prazer da Intimidade Divina. Como pessoas que não são capazes de apreciar os sentimentos daqueles que sofreram o desterro. Assim, Rumi diz: 
a) "Eu quero alguém com peito perfurado (cravado e cheio de dores) como o da Ney, para que possa contar a ele sobre as (insuportáveis) dores de meus desejos." 
b) Uma pessoa que ama Alláh e sente solidão, consegue entender o lamento da Ney, porque ele também tem um peito perfurado e cheio de dor. De qualquer forma, a Ney pode clamar a ambos, àqueles que querem apenas se divertir ouvindo os sons dos prazeres físicos, ou àqueles que libertaram seus espíritos de desejos egoístas. Você pode aceitar isso de acordo com a capacidade de sua mente. Como Rumi afirma: 
a) "Estou desolado com todo tipo de companhia e procuro igualmente, tanto o feliz quanto o infeliz." 
b) Aqui denomina-se feliz aquele que é sensível ao Amor Divino, e infeliz aquele que é desprovido da Dádiva Divina, do verdadeiro amor, porque ele é prisioneiro de modelos e formas. Como pessoas que tentam avaliar sua personalidade pela aparência externa. Eles' dificilmente se preocupam em descobrir sua existência interior. 
"De acordo com a capacidade de  compreensão  de cada um, todos se tornam meus amigos, e muitos não se importam  em compreender meu interior oculto." 
a) "Meu segredo não está longe de meus lamentos, mas os olhos e ouvidos físicos não possuem luz para enxergá- lo." 
b) Yunus Emre – um poeta Turco contemporâneo de Rumi expressa o mesmo fato em  duas palavras: "Bir bem vardi bende, benden içeru = Existe um segredo no meu  interior". É este segredo que o homem deve tentar seguir dentro de si mesmo e dos outros. Quando você é capaz de segui-lo, consegue encontrar a porta principal para a Origem. Portanto, seu corpo sem asas, como uma gota de orvalho, se transforma em um peixe feliz, que nadando alcança o Oceano. 
Um grupo fanático em torno de Rumi não pôde compreender a  mudança experimentada por ele, depois que conheceu o mestre espiritual Shems-i Tebrizi. Além disso, eles olhavam com desdém os dervishes que giravam ao som da Ney. Para essas pessoas Rumi disse: 
a) "O sopro dentro da Ney não é puro ar, é o fogo do amor; e aquele que não carrega esse fogo deixa de existir." 
b) Naturalmente, sempre que você descobre a luz interior que conduz em direção ao Amado, o som da Ney o remete a Ele, e Seu sopro (a gota de Seu Espírito) o deixa queimando por dentro; ele é a vida real e aquele que nunca  provou semelhante vida deveria morrer  (matar sua voracidade egoísta).  Talvez assim conseguisse ter a maravilhosa experiência de vivência espiritual e libertar-se de seu túmulo  (o corpo) . 
Rumi continua: 
a) "Nenhum véu esconde o corpo do espírito, nem o espírito do corpo. E todavia, homem algum jamais viu um espírito." 
b) Muitos falharam ao tentar descobrir o segredo da Ney. O segredo de suas saudades. Como muitos falharam em sentir seus espíritos que são tão próximos de si mesmo. Qualquer coisa assim tão próxima do homem é imperceptível, como as lágrimas nos olhos. Al-Qur’an diz que Alláh está tão perto de você quanto as suas jugulares. Isso talvez seja o motivo de nós não conseguirmos vê-Lo claramente. 
Como nos seis volumes do Masnavi, a idéia principal dos primeiros dezoito versos é que o amor a Alláh e suas saudades é o que causam motivação em toda existência. 
a) "É o fogo do amor que inspirou a Ney, é a saudade do amor que fez o vinho fermentar." 
b) A fermentação do vinho, a vibração de instrumentos musicais ou a energia dos animais e plantas, são devido à atração secreta do Amor Divino. Portanto, porque o homem continua inativo e tolo? 
"A Ney é amiga de qualquer um que já se abandonou, suas notas musicais rasgam nossos véus." 
E: 
a) "Quem já viu veneno e antídoto como a Ney? Quem já viu consolador e amante saudoso como a Ney?" 
b) A Ney é o antídoto para consolar um amante e induz a doce melodia do Amado Saudoso; ainda, é o veneno, pois incrementa o sentimento da separação. Como consolador é um bom amigo, mas quando faz alguém  chorar pelo envenenamento de seu ego e o queima por dentro com o amor de Alláh, isto tem o efeito do ácido no corpo físico. 
Rumi nos relembra que o verdadeiro amante tem que sacrificar seus desejos e egoísmo, devotando-se ao amor como Majnun o fez por Leyla. 
a) "A Ney conta sobre o perigoso e sangrento caminho e está narrando histórias de Majnun (que sacrificou-se por sua amada Leyla)." 
b) Se alguém invoca estar em amor com Alláh, então terá que prová-lo pondo seu ego, inteligência egoísta e preconceitos de lado, e terá que render-se ao Intelecto Universal (Sabedoria Divina). 
Assim, uma vez entregue com sinceridade ao Amor Divino, o medo da morte ou de momentos perigosos não o incomodarão jamais. 
a) "Ninguém senão aquele que abandonou seus sentimentos carnais pode compreender a história da Ney.  Os seus são os únicos ouvidos que podem receber o idioma expressado." 
b) Assim, tente obter ouvidos espirituais para compreender as palavras da Ney, e deixe seus próprios julgamentos de lado, pois seus sentidos parciais não são capazes de entender os Segredos Divinos. Seu intelecto astuto pode ser ilusório. 
a) "Em sofrimento nossos dias passaram, e tornaram-se companheiros caminhantes de nosso pesar." 
b) Embora a vida comece a evaporar-se, não se preocupe. Enquanto o Amor esteja com você, será livre do conceito de tempo e espaço. 
Rumi acrescenta : 
a) " Se os dias esvaem-se não importa, mas que Oh! O Puro (Amor de Alláh) esteja conosco." 
b) Amor é como dinheiro eterno. Dias e fortunas são transitórios, mas o amor é sua verdadeira moeda corrente para o outro mundo. Então, porque  preocupar-se com o tempo, se tem o amor de Alláh em suas mãos? Quando a  morte chegar, é o amor que nos irá salvar do medo. Apaixonado por Alláh, o homem se preocupa sim, espiritualmente; e nenhum infortúnio o incomoda. Ele parece um peixe feliz no mar Divino. Assim, Rumi continua: 
a) "Assim como o peixe é saciado com água, todo aquele que não é provido com recompensa diária não consegue passar seus dias com felicidade." 
b) "Um homem sem recompensa diária" aqui significa quem não tem dinheiro em suas mãos, isto é, desprovido do Amor Divino. Ele é infeliz e miserável, assim como um homem sem trabalho ou sem o pão diário. Seu tempo não passará, mas aquele que tem o Amor de Alláh é como um peixe feliz, cuidado e protegido pelo Oceano. 
Muitos falharam ao julgar o estado transcendental de Rumi, que o guiou para a música, dança e poesia. Esses muçulmanos fanáticos recusavam tudo que não fosse a leitura superficial do Al-Qur’an e os Ahadith. Dirigido a eles, Rumi diz: 
"Visto que o homem imaturo é incapaz de entender o estado de um homem maduro (pronto), é melhor encurtar uma estória longa dizendo adeus."
 

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