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Thursday, 15 October 2015 22:08

Moharam, o mês de comemoração do Levante do Imam Hussein (especial pelo primeiro dia do mês de Moharam)

Moharam, o mês de comemoração do Levante do Imam Hussein (especial pelo primeiro dia do mês de Moharam)
      Na cultura dos iranianos, os símbolos religiosos preparam o terreno de muitos ritos diferentes devido à variedade geográfica e tribal que, desde o passado até o dia de hoje, se transmitiram de geração a geração.

 

Não há dúvida que a cultura xiita é a mais afectada pelo movimento de Ashura que está misturado com batalha do Imam Hussein, pois a batalha considera-se uma maneira de vivificar os elevados valores islâmicos e humanitários. Pelos mesmos valores que o Imam Husein e sua família perderam as suas vidas.

Pode-se assegurar que, entre os rituais espirituais, a cultura da Ashura é a mais completa, profunda e diversa, e esta variedade vê-se em todas as etapas da celebração da cerimónia de luto pelo Imam Hussein. O luto religioso de Ashura começa antes da chegada do mês de Moharam. Na primeira semana do mês de Moharam chega a seu pico e continua até o dia de Arbaein (quaresma) isto são 40 dias após a Ashura. Pessoas de diferentes regiões do Irã, quando chega o Arbaein, celebram diferentes cerimónias e rituais com o fim de comemorar o levante do Imam Hussein (S, A).

Os livros de viajantes são uma das importantes fontes para conhecer a cultura do povo iraniano. Alguns destes apontamentos têm sido escritos por turistas e aventureiros que, por estar longe da fúria das autoridades, tiveram mais liberdade para explicar e descrever a situação e as características da comunidade e do povo, no entanto, às vezes os reis escreveram a respeito. Obviamente, nestes escritos têm certos erros que provem a falta de conhecimento do idioma persa, menos afinidades com a cultura e a carência da informação.

O auge dos itinerários foi durante os séculos XVI e XVII, após a formação do governo e dinastia Safávida e o aumento das relações políticas e económicas dos europeus com os iranianos. Os viajantes durante os reinados das três dinastias Safávida, Zandieh e Qajar, ao descrever suas observações sobre as cerimónias de luto, assinalaram alguns pontos em comum, um deles é a atenção especial dos governadores sáfavidas e do Qajar à celebração destes rituais. Entre os relatos destes viajantes, existem imagens detalhadas sobre a representação simulada que realizam os iranianos de lutuoso ritual de Ashura durante as comemorações do martírio do Imam Hussein.

Membro da delegação científica de investigação da Herança Cultural do Irã, a Gila Moshiri diz: observando os escritos de turistas europeus podemos entender que os viajantes no período da dinastia sáfavida tinham muito material para transmitir sobre conceitos religiosos dos iranianos xiitas, descrevendo observações relevantes. Acrescentou: "Os primeiros exploradores que tinham vivido mais tempo no Irã, tinham feito uma descrição mais precisa e real das práticas religiosas. Os primeiros exploradores, cujas tendências ao cristianismo eram mais forte, registaram com maior precisão o comportamento religioso das pessoas. Por fim, o conhecimento dos exploradores sobre a história e a comunidade iraniana tinha uma influencia direta com as suas compreensões da cultura religiosa do povo".

"Tazieh" tem sido uma das cerimónias que tem atraído os exploradores e sobre este rito se pode encontrar referência ou explicação em muitos relatos.

Eugène Flandin, artista, turista e o arqueólogo francês, numa parte de suas observações sobre uma visita ao Irã, registraram algumas cenas do lutuoso cerimónia de Ashura. Flandin, que viajou em 1839 ao Irã e ficou dois anos em Isfahán, no caminho de regresso visitou outras partes do país. Este artista, num parte das suas observações sobre o ritual de Tazieh que tinha assistido numa das cidades, escreveu assim: "Vi uma cena que me comoveu muito, se tratava de uma batalha entre a família e os seguidores do Imam Husein e a tropa de Yazid. Esta cena tão influenciava os espectadores, que as pessoas achavam que estavam presenciando uma cena real. Tazieh executava-se em forma de poesia e seus atores interpretavam as canções comoventes e seus movimentos recreavam uma grande emoção".

Este turista francês descreve o estado de um povo em luto junto à dimensão artística da cerimónia de luto da nação iraniana. Nos registros de Flandin se lê as seguintes expressões: "Tazieh se formava por vários palcos de cortinas pretas e nos intervalos os jovens de famílias famosas serviam aos espetadores a água e xaropes grátis. Todos em sinal de luto se tinham vestido de preto ou cinza".

 

Ele prossegue que a cerimónia de luto do Imam Hussein está repleto da fé, práticas e rituais de cavalaria. Além dos atos cênicos e ritmos musicais, que se informaram em outros itinerários, acrescenta que o povo levava símbolos de luto como particularidades desta cerimónia durante estes dia.

 

Um dos comerciantes e turistas francês que descreveu o dia de Ashura em 1078 foi Jean-Baptiste Tavernier. Ele assistiu "vários grupos de pessoas enlutadas que vieram de doze bairros de Isfahán, se reuniram na Praça Naqsh Jahan. A cada grupo tinha um Alam ou um símbolo de metal (de 150 e 300 quilos), com luzes, brasões e estatuas que recordem o derramamento de sangue em Karbala. Também levam um berço, que é uma caixa de madeira, que assemelha a um caixão, coberta de uma teia bordada com flores".

 

O escritor alemão Heinrich Brugsch, sobre o luto pelo Imam Hussein no século XIX, no seu livro "Na Terra do Sol", escreveu: "os convidados tinham-se sentado numa grande loja e olhavam a cerimónia. Ao início os homens fortes levavam vários “Alam e kotal”. Depois umas oito pessoas entravam num campo levando em seus ombros um quadro. Tinha algo como um caixão. Disseram-nos que o quadro simboliza o Profeta do Islã. Em cima do quadro tinha tecidos de cachemira e aos lados castiçal. Duas pessoas lados a lados iam a cavalo portando uma bandeira grande".

 

O explorador e pintor inglês Frederick Charles Richard, viajou ao Irã durante os primeiros anos do século XX e escreveu um livro titulado "Um viajante iraniano" no que descreve a cerimónia de luto em Yazd. Diz que o povo celebra com muito entusiasta. Numa praça que está situada em frente à porta principal do Bazar se colocou uma grande estrutura de madeira (Nakhl, que significa folha de palma) enfeitada de tecidos, espadas, luxuosas teias e espelhos e que no dia de Ashura é carregada em procissão de um lugar a outro como se fosse o caixão do Imam Hussein. Esta cerimónia é conhecida como o "levantamento da Nakhl" que centenas dos homens tentam levantar para alcançar uma recompensa". As grandes peças de madeira têm tanto peso que não pode avançar e só se conseguem as girar.

 

Richard, após descrever este ritual, escreve que durante esta cerimónia se desenvolve uma série dos teatros nas ruas e avenidas. As exibições são muito empolgantes já que simulam partes do martírio do Imam Hussein e os seus companheiros. Ele as considera muito interessantes e acrescenta que os atores pre-teatro praticam as cenas em várias noites consecutivas e reiterados gritos e cânticos dolorosos ao final do teatro faz desprender o grito agudo dos espectadores.

 

O escritor espanhol Juan Goytisolo e o repórter escreveu um livro titulado "De um lado para Meca. Aproximações ao mundo islâmico". Neste livro, descreve alguns fenómenos sociais e culturais nos territórios islâmicos que até agora haviam sido pouco atendidos. "Nos dias do luto em Teerão" é título de um capítulo de dito livro que explica a cerimónia do luto dos xiitas na época contemporânea. Este relatório começa com umas frases da carta do Hazrate Ali (a paz seja com ele) aos seus filhos em que os proíbe enganar o mundo. Goytisolo, a seguir, escreve que durante os dias de luto pelo Imam Hussein (a paz seja com ele), os rostos das grandes e pequenas cidades e as aldeias mudam de modo considerável. Tudo é preto e todos se vestem em preto. As bandeiras e Alames são pretos e às vezes verdes e se hasteiam sobre os tetos das casas. Mulheres, homens, jovens e velhos, vestem-se de luto, e o povo -especialmente os jovens- se reúne nas mesquitas e nos lugares religiosos onde se batem no peito numa maneira de mostrar a solidariedade com os mártires da luta desigual de Ashura. Uma luta que no século XIV ocorreu no deserto de Karbala. O Imam Hussein, com uma forte crença nas suas convicções, pôde manter eterno o espírito épico e orgulho na nação islâmica. Ele ressaltou que de nenhuma maneira se deve aceitar o domínio dos tiranos e só tem que se renderem as regras de Deus que buscam a felicidade das pessoas. Hussein ibne Ali, com o seu singular levante, deixou uma bela verdade, segundo a qual, quando a tirania e a opressão ocuparam a comunidade humana e tiver extinguido a luz da bondade e virtude, para restaurar os valores religiosos, o povo deve até mesmo se levantar ainda se põe em risco sua vida neste caminho.

Cumprimentos a Hussein para uma verdade que está sempre viva. A benção de Deus para ele, quem sacrificou sua vida para restaurar a religião divina e hastear a bandeira orientadora do Islã.

                                                                                                      

 

 

 

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