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quinta, 10 março 2016 10:45

EUA capturam especialista em armas químicas do "Daesh"

EUA capturam especialista em armas químicas do "Daesh"
Detido no Iraque é responsável por unidade de desenvolvimento de armas químicas do grupo extremista e está sendo interrogado sobre o uso de gás mostarda. Americanos afirmam que ele será repassado para os iraquianos.

Forças especiais dos Estados Unidos capturaram no norte do Iraque o responsável pela unidade de desenvolvimento de armas químicas do grupo extremista "Daesh", informaram a agência de notícias Associated Press e o jornal americano The New York Times nesta quarta-feira (09/03).

O membro de Daesh foi identificado como Sleiman Daoud al-Afari, um especialista em armas químicas e biológicas que trabalhou para o antigo ditador Saddam Hussein. Autoridades americanas disseram que ele era o líder do recém-criado setor de pesquisa e desenvolvimento de arsenal químico do Daesh.

Al-Afari foi capturado há cerca de um mês, logo após a chegada de uma força de operações especiais dos EUA ao Iraque. Essa foi a primeira tropa terrestre americana enviada ao país desde que os Estados Unidos se retiraram da região, em 2011.

Em seu interrogatório, Al-Afari deu detalhes sobre como o "Daesh" conseguiu carregar o gás mostarda em armamentos. Autoridades disseram que a concentração do gás não o tornava letal, mas ele poderia mutilar pessoas. Fontes do Departamento de Defesa americano afirmaram que os Estados Unidos não pretendem deter o capturado indefinidamente e que ele será repassado para autoridades iraquianas e curdas, depois do fim do interrogatório.

Os ataques aéreos americanos no Iraque visavam impedir o grupo de usar gás mostarda. As informações dos alvos teriam sido repassadas por um integrante do Daesh que foi detido. Laboratórios e equipamentos do grupo extremistas também foram alvos. Ataques químicos O progresso do "Daesh" no desenvolvimento de armas químicas é limitado, mas o grupo teria conseguido fabricar gás mostarda. Testes confirmaram o uso dessa substância em ataques dos terroristas na Síria, em agostos de 2015.

Especialistas afirmam, no entanto, que, aparentemente, os extremistas não têm capacidade para produzir esse armamento em larga-escala, o que requer não somente experiência, mas também equipamentos apropriados, materiais e uma cadeia de fornecimento.

Há relatos recentes de ataques químicos realizados pelo Daesh. Autoridades locais iraquianas disseram que mais de 40 pessoas sofreram asfixia e irritações na pele após um ataque dos terroristas na terça-feira em Taza, no norte do país. Nenhuma das vítimas morreu, mas cinco permanecem internadas.

O governador da província de Kirkuk, Najmuddin Kareem, afirmou que a substância usada no ataque ainda não foi identificada. "Os terroristas de Daesh querem assustar a população. Eles querem mostrar que têm armas químicas como o regime anterior", disse Kareem, ferindo-se a um ataque das forças de Hussein a uma vila curda em 1988, que deixou milhares de mortos. Em dezembro do ano passado, Washington deu início uma nova estratégia, com uma unidade especial destinada a capturar líderes do Daesh e a reunir informações para ataques em operações clandestinas.

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