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Friday, 13 February 2015 10:01

“Há espaço para aumentar comércio entre Rússia e América Latina”

“Há espaço para aumentar comércio entre Rússia e América Latina”
Sanções impostas por Europa e EUA estimulam Rússia a buscar aliados na América Latina. Recentemente, os volumes de comércio, investimento e cooperação militar com países latino-americanos aumentaram consideravelmente.
 
Em entrevista à Gazeta Russa, Jose Miguel Insulza, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), falou sobre as perspectivas da Rússia na região.
 
 
Por Tatiana Rublióva, especial para Gazeta Russa
 
Como o senhor avalia o estado atual das relações entre a Rússia e a OEA?
 
A Rússia assume papel de observador na OEA – e de forma bastante ativa. Temos boas relações e, embora a OEA promova principalmente as relações multilaterais, e não bilaterais, servimos como uma ponte, que ajuda os membros a se manterem bem informados sobre tudo o que acontece nas Américas.
 
Quais são os caminhos mais promissores na colaboração entre a Rússia e a América Latina?
 
A América Latina continua a exportar um monte de mercadorias que a Rússia, obviamente, não precisa comprar de nós. No entanto, ainda há espaço para melhorar significativamente o comércio entre a Rússia e os países latino-americanos. Sempre existiu troca comercial no setor agrícola; há também indústrias de transformação bem desenvolvidas no Brasil, no México, na Argentina e no Chile. Os intercâmbios culturais, que durante os tempos soviéticos eram especialmente fortes, estão agora ganhando fôlego novamente.
 
Qual é o maior concorrente da Rússia nesse mercado?
 
A China é, naturalmente, um grande comprador, embora isso dependa da região. No caso da América do Sul, apesar de a China exportar uma grande quantidade de manufaturados para lá, importa muito mais em termos de matérias-primas e produtos agrícolas. Na América Central e no México, há provavelmente mais rivalidade, mas isso se refere em grande parte à concorrência entre os produtos locais destinados ao mercado norte-americano.
 
Se a Rússia entrar com tudo na América Latina, não acho que vá enfrentar uma concorrência muito acirrada. O exemplo chinês, no entanto, mostra quão grandes podem ser as possibilidades no mercado latino-americano. O presidente chinês Xi Jinping anunciou um grande investimento na região, em torno de US$ 250 bilhões ao longo dos próximos dez anos, ou US$ 25 bilhões ao ano. Realmente espero que isso aconteça, mas não há motivo de preocupação – as oportunidades de desenvolvimento na América Latina são enormes.
 
Como o renascimento dos laços diplomáticos entre os EUA e Cuba pode afetar a situação geopolítica na América Latina?
 
Essa questão vai, de fato, mudar um pouco a situação geopolítica na região, já que a barreira artificial que deveria ter sido derrubada há muito tempo desaparecerá. Isso aumenta as possibilidades de viagens, trocas comerciais, operações financeiras e atividade cultural. Acredito que Cuba vá mudar o escopo de suas relações diplomáticas.
 
O senhor acredita que os países latino-americanos vão começar a adotar uma postura mais positiva em relação aos EUA?
 
Os países latino-americanos estão convencidos de que os EUA é o seu principal parceiro, e todos têm esperança de melhorar as relações comerciais com o país. Claro que existem algumas exceções – uma delas é a Venezuela. No entanto, 90% das suas exportações são de petróleo, e eles têm um acordo comercial muito favorável com os EUA, que lhes permite vender a quantidade de petróleo que quiserem.
 
Acho natural que a América Latina, que cresceu bastante na última década, esteja mais aberta para os negócios e para o mundo do que nunca. Mas isso não tem que ferir o seu principal parceiro, os EUA – que continua a ser o líder regional em trocas comerciais e investimento.
 
A América Latina pode se tornar uma região em que Rússia e EUA competirão por influência, assim como acontecia na Guerra Fria?
 
Não creio que isso possa acontecer. A necessidade de diálogo entre o Ocidente e a Rússia é essencial – há poucas alternativas. Mas, se o diálogo não for para frente, a maioria dos problemas ocorrerão na região euroasiática, e não na América Latina.
 

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