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Thursday, 21 May 2015 06:13

Moçambique aguarda "com muito interesse" investigações à xenophobia

Moçambique aguarda "com muito interesse" investigações à xenophobia
O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, disse hoje, na presença do seu homólogo da África do Sul, Jacob Zuma, que "o povo moçambicano aguarda com muito interesse" as investigações à crise xenófoba neste país e que espera responsabilidade penais.

 

"Encorajamos a prosseguir de modo firme e determinado para eliminar, de uma vez por todas, as causas deste fenómeno violento, responsabilizando criminalmente os envolvidos", disse o Presidente moçambicano, no discurso proferido no início de um banquete oferecido a Zuma, hoje em Maputo.

Nyusi reiterou que o povo moçambicano e o seu Governo "condenam todos os atos que concorrem para tirar ou ameaçar a vida humana, incluindo a xenofobia, por constituir uma afronta à convivência pacífica e harmoniosa" entre os dois países.

No seu discurso, o chefe de Estado moçambicano lembrou que "as migrações e a luta comum contra os regimes, colonial português e do "apartheid", forjaram a identidade coletiva" dos dois povos, ""alicerçada nos mesmos laços tradicionais, culturais e linguísticos", e que levam a que estejam "impelidos a cooperar e a caminhar juntos".

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu desculpa ao homólogo moçambicano pela crise de violência xenófoba na África do Sul, durante um encontro, hoje em Maputo, entre delegações de alto nível dos dois países

"É importante para nós apresentar desculpas em nome da minoria que se comportou mal", declarou Zuma, após uma reunião a sós entre os dois estadistas, na Presidência moçambicana, e durante um encontro alargado a membros dos dois governos.

"Os moçambicanos são nossos irmãos, nossas irmãs, é um problema de família", declarou o Presidente sul-africano, que realizou hoje o primeiro de dois dias de visita de Estado a Moçambique.

No discurso proferido durante o banquete, Nyusi referiu-se às relações económicas com a África do Sul e que "têm vindo a conhecer níveis cada vez mais crescentes", quando o estado vizinho é o terceiro maior investidor em Moçambique, desafiando os empresários dos dois países a serem mais criativos e inovadores.

"Moçambique possui terra arável, recursos hídricos e energéticos em abundância", afirmou o Presidente moçambicano, observando que "o potencial hidroelétrico, de carvão, gás natural e energias renováveis permite garantir a segurança energética para os dois países".

Além de um importante parceiro comercial de Moçambique, a África do Sul é o maior importador da energia da Hidroelétrica de Cahora Bassa.

O Presidente moçambicano referiu-se ainda à situação interna no seu país, assegurando que "está em paz", num momento em que a oposição da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) deu um ultimato de 60 dias ao Governo para criar autarquias provinciais em seis regiões, sob pena de tomar o poder pela força nestes locais.

"Para a consolidação da paz e aprofundamento da democracia, temos vindo a estabelecer o diálogo, abrangente, de forma pública ou dirigida com várias organizações da sociedade civil, representantes das confissões religiosas e partidos políticos, incluindo a Renamo", declarou.

Além de membros dos dois governos, o banquete hoje oferecido a Zuma reuniu os titulares das principais instituições moçambicanas e também os ex-presidentes Joaquim Chissano e Armando Guebuza.

Após a crise xenófoba na África do Sul, em abril e que matou pelo menos três moçambicanos, cerca de mil imigrantes deste país foram detidos e receberam ordem de expulsão, apanhando as autoridades de Maputo de surpresa.

Dos encontros bilaterais de alto nível hoje em Maputo, saiu a garantia de que as autoridades dos dois países vão melhorar a comunicação sobre repatriamentos, um dos poucos acordos palpáveis numa visita de Estado que se destinou a baixar a tensão entre as diplomacias e opiniões públicas dos dois países.

Zuma expôs longamente, no discurso que se seguiu a Nyusi durante o banquete, as medidas que o seu Governo pôs em prática durante e após a crise de violência xenófoba, repetindo várias vezes que tudo fará para que "não volte a acontecer".

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