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Friday, 08 May 2015 08:12

Cresce movimento internacional por libertação de brasileiro em greve de fome

Cresce movimento internacional por libertação de brasileiro em greve de fome
O movimento em prol da libertação de Islam Hamed, brasileiro-palestino que completa 26 dias em greve de fome hoje (7) e está preso em Nablus, na Palestina, tem ganhado força na região. Cartazes pedindo a liberdade do prisioneiro foram espalhados pelas cidades palestinas e uma tenda foi montada em frente à casa da família para receber pessoas que aparecem para prestar solidariedade.

 

Na terça-feira (5), o lugar foi palco de um encontro simbólico: três representantes do Hamas e três representantes do Fatah visitaram a família. Os dois partidos são majoritários na Palestina e, até o ano passado, ocupavam campos opostos na geopolítica local. O Hamas comanda a Faixa de Gaza. Já o Fatah, a Cisjordânia.

A aproximação entre os dois foi oficializada em junho do ano passado com a criação de um governo de consenso nacional. Um mês depois, a Faixa de Gaza foi palco de um intenso bombardeio que durou sete semanas e deixou 2.157 palestinos mortos, a maioria civis. Apesar de a aproximação entre Hamas e Fatah ser considerada uma etapa importante para a unificação do povo palestino, é consenso no país que ainda há um longo caminho pela frente, daí o significado importante do encontro.

No Brasil, a mobilização também tem se intensificado. No dia 15 de abril, quatro dias após Islam ter começado a greve de fome, a família formalizou o segundo pedido de intervenção do governo brasileiro para a libertação e a repatriação do brasileiro. O primeiro foi em 2013.

Na última semana, uma carta foi enviada à presidenta Dilma Roussef, pedindo intervenção direta no caso, e um abaixo-assinado pedindo a libertação o brasileiro circula na internet. Para amanhã (8), a Frente em Defesa do Povo Palestino está convocando para um ato simbólico pela liberdade de Islam Hamed em frente à representação da presidência da República, em São Paulo.

Segundo a família, Hamed já perdeu quase 15 quilos desde que começou a greve de fome. A pele está amarelada e a voz bem fraca. Ele reivindica ser libertado e quer garantir o direito de vir para o Brasil. Islam terminou de cumprir a pena a qual foi sentenciado há um ano e oito meses.

Para a mãe de Islam, Nádia Hamed, de 52 anos, a vinda do filho para o Brasil é a única alternativa para que ele consiga ter uma vida normal. Nádia nasceu em Catanduva, no interior de São Paulo, e se mudou para a Palestina quando tinha 19 anos. Lá ela se casou e teve quatro filhos. Islam Hamed cresceu em um vilarejo de Ramala, em uma família de agricultores. Acompanhou durante a infância o avanço da ocupação israelense no território palestino. Tinha oito anos quando foi assinado o Acordo de Paz de Oslo, em 1993, que proibia novos assentamentos israelenses em território palestino. De lá para cá, o número de colonos israelenses na Palestina mais do que triplicou.

Segundo sua tia no Brasil, Mariam Baker, de 56 anos, ele ainda era criança quando viu casas palestinas sendo demolidas. Uma delas de sua família: “Imagina um menino que ficava em frente à televisão chorando porque via o que acontecia com as pessoas, as casas sendo destruídas. Casa de nossos parentes mesmo. Eles vão à casa da mãe e porque o filho é preso político, derrubam a casa”, conta Mariam que vive em São Paulo.

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